Entenda o papel da orexina, os principais medicamentos dessa classe, os cuidados necessários e como funciona a avaliação presencial ou online.
| Resposta direta: os DORAs são medicamentos para insônia que bloqueiam os receptores da orexina e reduzem o sinal cerebral responsável por manter a vigília. Eles podem ser considerados em alguns casos de dificuldade para iniciar ou manter o sono, mas precisam de avaliação e prescrição individualizadas. |
Olá, eu sou o Dr. Carlos Renato Periotto, médico psiquiatra, CRM-MS 5978 e RQE 6949, com mais de 15 anos de experiência clínica e atuação em Medicina do Sono.
Se você pesquisou por um novo medicamento para insônia, remédio para dormir, lemborexante, Dayvigo, DORA ou um psiquiatra para tratar insônia, quero explicar de forma simples o que essa classe representa e por que a escolha do tratamento nunca deve ser feita apenas pelo nome do medicamento.

O que são os DORAs?
DORAs é a sigla para antagonistas duais dos receptores de orexina. Essa classe atua de maneira diferente de muitos medicamentos tradicionalmente usados para dormir.
A orexina é uma substância produzida pelo cérebro que participa da manutenção da vigília. Ela ajuda a nos manter acordados, atentos e preparados para responder ao ambiente. Os DORAs bloqueiam os dois principais receptores da orexina, chamados OX1R e OX2R, reduzindo esse sinal de alerta e facilitando a transição para o sono.
Em termos simples, a proposta não é apenas aumentar a sedação. É diminuir parte do sinal biológico que mantém o cérebro acordado.
Quais medicamentos fazem parte da classe dos DORAs?
Os principais representantes internacionais dessa classe são:
- Suvorexante
- Lemborexante
- Daridorexante
A disponibilidade varia conforme o país. No Brasil, o lemborexante, comercializado com o nome Dayvigo, recebeu registro da Anvisa em abril de 2025 para o tratamento da insônia em adultos com dificuldade para iniciar ou manter o sono.
É importante diferenciar registro de disponibilidade imediata: a própria Anvisa informa que a comercialização depende da aprovação do preço pela CMED e da decisão da empresa detentora do registro. Por isso, a situação de mercado deve ser confirmada no momento da consulta.
Para quem essa classe pode ser considerada?
Os DORAs podem entrar na avaliação de adultos que apresentam dificuldade frequente para pegar no sono, despertares repetidos durante a noite ou dificuldade para voltar a dormir. Também observo o impacto durante o dia, porque a insônia não se resume ao período noturno.
Alguns sinais que merecem investigação são:
- Demorar muito para adormecer com frequência
- Acordar várias vezes durante a noite
- Despertar cedo demais e não conseguir voltar a dormir
- Cansaço, irritabilidade ou dificuldade de concentração durante o dia
- Ansiedade crescente ao se aproximar o horário de dormir
- Necessidade recorrente de medicamentos para conseguir dormir
Ter uma ou mais dessas queixas não significa que um DORA seja automaticamente a melhor escolha. Antes de prescrever qualquer medicamento, eu preciso entender a causa da insônia, os riscos individuais e os tratamentos já realizados.
O que pode estar por trás da insônia?
A dificuldade para dormir pode surgir ou se manter por diferentes motivos. Entre os mais comuns estão:
- Ansiedade, preocupação excessiva e pensamentos acelerados
- Depressão ou alterações de humor
- Estresse profissional, familiar ou financeiro
- Horários irregulares de sono e trabalho em turnos
- Consumo excessivo de cafeína, álcool ou outras substâncias
- Uso de medicamentos que interferem no sono
- Apneia do sono, síndrome das pernas inquietas ou dor crônica
- Mudanças hormonais e outras condições clínicas
- Uso prolongado ou inadequado de medicamentos para dormir
Por isso, eu não avalio apenas quantas horas a pessoa dorme. Analiso horários, despertares, rotina, funcionamento durante o dia, condições clínicas, uso de substâncias e o estado emocional.
Para entender melhor os sinais que indicam necessidade de avaliação, leia também: Insônia: quando procurar ajuda?
DORAs são melhores que zolpidem ou outros medicamentos para dormir?
Não existe um medicamento que seja o melhor para todas as pessoas. Os DORAs e o zolpidem atuam por mecanismos diferentes, e cada opção possui benefícios, limitações, riscos e situações nas quais pode ou não ser adequada.
Na minha avaliação, considero o tipo de insônia, a idade, a rotina de trabalho, outros medicamentos em uso, a presença de ansiedade ou depressão, o risco de quedas, doenças respiratórias, o histórico de uso de álcool ou outras substâncias e a resposta a tratamentos anteriores.
Trocar, combinar, aumentar, reduzir ou interromper um medicamento por conta própria pode piorar o sono e produzir efeitos indesejados. Qualquer mudança deve ser orientada por um médico.
DORAs causam dependência? Quais são os possíveis efeitos colaterais?
O mecanismo dos DORAs é diferente de outras classes usadas para dormir, mas isso não significa ausência de riscos. Alguns medicamentos dessa classe estão sujeitos a controle de prescrição e precisam ser utilizados de acordo com a bula e a avaliação clínica.
O perfil varia conforme a substância e a dose. Entre os efeitos descritos para medicamentos da classe podem ocorrer:
- Sonolência ou cansaço no dia seguinte
- Dor de cabeça ou tontura
- Redução da atenção e da coordenação
- Paralisia do sono ou experiências incomuns ao adormecer e despertar
- Comportamentos durante o sono sem lembrança posterior
- Interações com álcool e outros medicamentos que causam sonolência
Alguns DORAs são contraindicados para pessoas com narcolepsia e podem exigir cuidado especial diante de doenças hepáticas, medicamentos que alteram seu metabolismo ou atividades que dependem de atenção na manhã seguinte. Por isso, a prescrição precisa ser individualizada.
O tratamento da insônia vai além do medicamento
Os DORAs ampliam as opções farmacológicas, mas não substituem uma investigação adequada. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia, conhecida como TCC-I, permanece entre as principais abordagens para a insônia crônica e pode ser utilizada sozinha ou em conjunto com medicamentos, conforme o caso.
Meu plano de tratamento pode incluir:
- Organização dos horários de dormir e acordar
- Ajustes no tempo passado acordado na cama
- Controle de estímulos e mudanças na rotina noturna
- Tratamento da ansiedade, depressão ou de outras condições associadas
- Investigação de apneia e de outros transtornos do sono
- Psicoterapia e TCC-I
- Medicamentos, quando realmente indicados
- Acompanhamento da resposta, da segurança e dos efeitos colaterais
Se a sua mente acelera justamente ao deitar, recomendo também o artigo Como lidar com a insônia e a ansiedade noturna. Para uma visão mais ampla das causas e opções de cuidado, veja Você tem problemas com insônia? Entenda o que pode estar acontecendo.
Quando procurar um psiquiatra para insônia?
Eu recomendo procurar avaliação quando a dificuldade para dormir se repete, dura semanas ou meses ou começa a prejudicar o funcionamento durante o dia.
Procure ajuda especialmente quando:
- Você precisa de medicamentos quase todas as noites
- O medicamento já não produz o mesmo efeito
- O sono ruim prejudica memória, humor, trabalho ou relacionamentos
- A ansiedade aumenta ao chegar a hora de dormir
- Você ronca intensamente, acorda sufocado ou apresenta sonolência excessiva durante o dia
- Existem sintomas de depressão, crise de ansiedade ou uso de álcool para conseguir dormir
Quanto mais tempo o ciclo se mantém, maior pode ser a associação entre cama, preocupação, frustração e estado de alerta. O diagnóstico correto evita tratar apenas o sintoma e ajuda a escolher uma estratégia compatível com a causa.
Como funciona a consulta para tratar insônia?
Na primeira consulta, eu procuro compreender o padrão do seu sono e os fatores que podem estar mantendo o problema. Conversamos sobre horários, despertares, rotina, ansiedade, uso de telas, cafeína, álcool, medicamentos, condições clínicas e funcionamento durante o dia.
Também avalio sinais de outros transtornos do sono. Quando necessário, posso solicitar exames, revisar tratamentos anteriores ou indicar uma avaliação complementar.
Meu objetivo não é apenas prescrever um remédio para dormir. Quero compreender o problema, explicar as possibilidades com clareza e construir um plano que melhore suas noites sem comprometer sua segurança durante o dia.

Para saber como eu organizo a avaliação inicial, leia Primeira consulta com psiquiatra em Campo Grande MS ou online: como funciona.
Consulta com psiquiatra para insônia online ou em Campo Grande MS
Realizo consultas particulares presencialmente em Campo Grande MS e também por atendimento psiquiátrico online para pacientes de diferentes regiões do Brasil.
Em muitos casos, a avaliação da insônia pode ser feita por videochamada, com análise detalhada da história clínica, da rotina e dos tratamentos anteriores. Quando identifico necessidade de exames ou investigação complementar, faço essa orientação.
Conheça meu atendimento como psiquiatra em Campo Grande MS, com consultas presenciais e online, ou consulte a página de serviços e tratamentos em saúde mental.
Perguntas frequentes sobre DORAs e tratamento da insônia
DORA é um remédio para dormir?
Sim. DORA é uma classe de medicamentos prescritos para alguns casos de insônia. A diferença está no mecanismo: eles bloqueiam os receptores da orexina e reduzem o sinal que sustenta a vigília.
Posso substituir o zolpidem por um DORA?
Não faça essa troca sem avaliação médica. A decisão depende do seu diagnóstico, do tempo de uso, da dose, de outros medicamentos e do risco de sintomas após a redução ou interrupção.
O lemborexante já foi aprovado no Brasil?
O Dayvigo, cujo princípio ativo é o lemborexante, recebeu registro da Anvisa em 2025. A disponibilidade comercial deve ser confirmada, porque depende das etapas regulatórias de preço e da decisão da empresa.
A consulta para insônia pode ser online?
Sim. Eu consigo avaliar a história clínica, a rotina, os sintomas e os tratamentos anteriores por videochamada. Caso seja necessário exames complementares ou investigação complementar, faço a orientação adequada.
Psiquiatra pode tratar insônia?
Sim. A insônia frequentemente se relaciona a ansiedade, depressão, alterações de humor, uso de substâncias e outros fatores que fazem parte da avaliação psiquiátrica. Minha atuação em Medicina do Sono amplia essa análise e ajuda a integrar o sono à saúde mental como um todo.
Dormir melhor começa por entender a causa
Dormir mal por algumas noites pode acontecer. Conviver durante meses com cansaço, irritabilidade, queda de concentração e medo de não conseguir dormir não deve ser tratado como algo normal.
Os DORAs representam uma nova possibilidade no tratamento da insônia, mas a escolha precisa considerar diagnóstico, riscos, outros medicamentos utilizados e as necessidades de cada pessoa.
Eu posso ajudar você a investigar a causa da insônia e organizar um plano de tratamento individualizado, presencialmente em Campo Grande MS ou por consulta online.
Atendimento presencial: Av. Hiroshima, 957, Carandá Bosque, Campo Grande MS
Atendimento online: consultas por videochamada para pacientes de diferentes regiões do Brasil.
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Dr. Carlos Renato Periotto
Médico psiquiatra, CRM-MS 5978 e RQE 6949, com mais de 15 anos de experiência clínica. Formado em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com especialização em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto e mestrado em Medicina do Sono pela UNIFESP.
Conheça minha atuação profissional e os atendimentos disponíveis.
Fontes técnicas consultadas
- Anvisa: registro do Dayvigo (lemborexante) no Brasil
- Agência Europeia de Medicamentos: informações sobre daridorexante
- FDA: informações de prescrição do daridorexante
- PubMed: recomendações e evidências sobre o tratamento da insônia
Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica individualizada. Atualizado em setembro de 2026.







